terça-feira, 6 de abril de 2010

Mão única

Fiz a barba

Pus um chapéu, um paletó e um sapato

O perfume mais caro eu escolhi e borrifei

lambuzei de gel meu cabelo e com um pente o ajeitei

e assim tão pronto, tão bonito, tão arrumado

fui passear pela contramão de minha rua

Matheaus Siebra
06/04/2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Amorosamente



Fiz do teu verbo advérbio
E andamos juntos
E me fiz teu adjunto
Pra te ajuntar num desregrado conjunto

Não sei se imperfeito teu pretérito...
E nem me dá vontade curiar
Não sei se simples o presente, mas é onde me deito e esqueço
De qualquer outro momento que não nosso apaixonar

E o que vai vir?
Com certeza uma repetição, um futuro que já vi
Um futuro do pretérito
(E de quem mais seria o amanhã que não do que já passou?
E o que seria do que já passou senão fosse o calor de quem virá?)

No fundo, no fundo
Não sei, não sabes, não sabem
Nem do presente simples ou do pretérito perfeito
Mas eu quero um futuro refeito
Pode nem ser tão perfeito.

Matheaus Siebra
24/03/2010

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Não estou fingindo


Quem disse que não havia motivos?

Se te chamei era pra não ficar sozinho

Não queria comer minha mão, alimentar a imaginação

Eu queria o que muitos quiseram, alguns chegaram perto, poucos tiveram

Queria eu dentro de ti

Em ti...

E consegui


Mas se era só desejo, se foi com o gozo

O que era profano virou religioso

Já não quero só te enrabar, devorar, trepar

Quero antes preparar, degustar, subir

Em teu muro, teu corpo, teu conceito

O teu prato, teu sabor, o beijo

Um café, um momento, um contexto


Quero tudo que jamais quis

E quando insistires que não te amo

Vou te mostrar isto que fiz.

Matheaus Siebra

29/01/2010