Fiz a barba
Pus um chapéu, um paletó e um sapato
O perfume mais caro eu escolhi e borrifei
lambuzei de gel meu cabelo e com um pente o ajeitei
e assim tão pronto, tão bonito, tão arrumado
fui passear pela contramão de minha rua
06/04/2010
Não saberia escrever se não fosse pelo prazer de redescobrir meu poder de tornar feio tudo que aos olhos do gado é bonito. Não vou pelo caminho traçado pelo peão, não sigo o "povo feliz", destoo da vida assim como a cada dia ela se mostra mais dissonante. Não espero elogios falsos, baratos... a melhor retribuição que receberia seria ouvir de vossas bocas um comentário verdadeiro.

Quem disse que não havia motivos?
Se te chamei era pra não ficar sozinho
Não queria comer minha mão, alimentar a imaginação
Eu queria o que muitos quiseram, alguns chegaram perto, poucos tiveram
Queria eu dentro de ti
Em ti...
E consegui
Mas se era só desejo, se foi com o gozo
O que era profano virou religioso
Já não quero só te enrabar, devorar, trepar
Quero antes preparar, degustar, subir
Em teu muro, teu corpo, teu conceito
O teu prato, teu sabor, o beijo
Um café, um momento, um contexto
Quero tudo que jamais quis
E quando insistires que não te amo
Vou te mostrar isto que fiz.
Matheaus Siebra
29/01/2010