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Não saberia escrever se não fosse pelo prazer de redescobrir meu poder de tornar feio tudo que aos olhos do gado é bonito. Não vou pelo caminho traçado pelo peão, não sigo o "povo feliz", destoo da vida assim como a cada dia ela se mostra mais dissonante. Não espero elogios falsos, baratos... a melhor retribuição que receberia seria ouvir de vossas bocas um comentário verdadeiro.
Zebras, cavalos listrados...
Búfalos, bois despenteados...
Inda hoje me peguei pensando em tuas loucuras
Onde tudo tem forma de nada
Nada tem forma de tudo
De onde dormes teus sonhos, avistas um mundo desconhecido
E tua cabeça entende tudo, porque tudo é teu
Tu és o mundo
E o mundo é seu
Escuro ainda, cheio de ecos de falas estranhas
Dos que não habitam tua terra perfeita, teu berço liquido no quarto maternal
Não te vejo, mas já te fantasio
Em teus olhos duas bilas verdes acastanhadas, ou castanhas esverdeadas
É a cor do amor
Ainda não te sei e sei que nascerás perfeito
Anjo de cabelos cacheados, lisos ou ondulados
Na forma do amor
Inda hoje me peguei pensando em teus absurdos
E quando virdes me perguntar loucuras sei que já terás quase respostas pra tudo.
Matheaus Siebra
23/07/2009
Enfim fez-se dissipar o ébrio daquelas noites alucinadas
Ao nono dia os raios do triste sol surgiram notáveis
Queimando as cabeças ressacadas dos que gritavam à luz da lua
Ah lua! Neste período escapastes dos olhos dos enamorados bêbados
Eles focavam uma luz móvel e mais intensa
Fiquei a contemplar-te na solidão de minha alcova
Debruçado na janela velha do meu velho sobrado
Escutando maus agouros dos transeuntes cansados
Perdendo-me de ti com a visão de um gato malhado
Enalteci-me ao notar que eras minha
Somente minha entre aqueles que no meu mundo habitam
Sei que não posso competir com os astros vagabundos
Estão estes de ti mais perto
Que de mim talvez deles tu gostes mais
Então me deixo estar por um par de olhos companheiros
Sei que preferes casais e, por isso, me desejará boa noite.
Matheaus Siebra
20/07/2009
Libertei-me da minha liberdade usual
Causou-me angústia saber que sua rotina acorrentava-me aos seus pés
Agora procuro outras nas mais inóspitas definições
Cansei de caminhos maquiados que escondiam a face do inferno
De verdades tão absolutas quanto os contos do seu narrador
E da cortina de luz opaca às suas próprias trevas
Não digo que pretendo outra para seguir à risca
Reconheço a imperfeição que trafega no reino dos homens
Que a tudo se faz imperar, fantasia os defeitos, ressalta as belezas e uma testemunha faz calar
Quero esboços, quero rascunhos...
Desfaço-me sem pudor das normas
Derrubo leis, condeno as regras
Não planejo revolução, não me sigam em vão
O boi no gado, o lobo anda só.
Matheaus Siebra
03/07/2009
O medo que me persegue a mente é meu ditador preferido
A revolução que se levanta do seu leito tem a ver com o medo vencido
Com a repressão em vão que brutalmente impõe
Sem saber que o proibido é sensual
Em cima do muro tudo é tão normal
Se queres emoção, jogue-se, se solte, se mate... De errar
De negar, de fingir
Mas não fique parado, estático, esperando seu medo fugir
Perca a vida, mas não perca a loucura
Morra de medo, menos medo de morrer
Matheaus Siebra
22/01/2009