quarta-feira, 20 de março de 2013
O fantástico mundo de Zion
segunda-feira, 10 de dezembro de 2012
Gênesis
Juntou nas mão fartos montes de carne
Como um experiente argileiro, apalpou-as e
[as amassou com aptidão
Até que as carnes se unissem e
[formassem um único pedaço uniforme
[Ele moldou a carne até então disforme
E nessa etapa se deixou trabalhar por longo tempo
Parava alguns instantes para examinar a obra e
[parecia se orgulhar do que fazia
Enfim, terminou a moldagem e ficou a observar o resultado final
Percebeu que, apesar da beleza, faltava-lhe algo
Algo que a fizesse existir sem que dela despendesse os ônus da existência
Foi então que, em outro arroubo de rebeldia, inspiração e criatividade Ele teve a idéia
Pegou uma pequena costela de um coadjuvante qualquer e dela fez a mulher
Percebeu que na mulher sua obra caia como uma luva
E viu que aquilo era bom
E viu que aquilo era muito bom
E viu aquilo
E viu...
Decidiu se livrar de tão formosa tentação
E em raro momento de devaneio
Ele me deu a mulher e sua obra prima
Este pedaço de carne tão farto e belo, primazia
A quem deram o nome de seio
17/08/2012
sábado, 17 de novembro de 2012
Sobre tentativas e perdas
Não há cartas, luas ou paisagens que dê jeito
Nem rostos novos na mesma mesa
A mesa é antiga, este é o problema!
Não há rimas, estrofes ou poemas que comovam
Nem alexandrinos ou redondilhas de qualquer porte
Eles se prendem à métrica e este é o problema
Não há tolos, filósofos ou teóricos que confortem
Nem artigos de grandes especialistas
Nenhum deles habita esta pele, este é o problema
Mas sim, havia lembretes sobre tudo isto: Liberdade, novidade, superação
Também tinha algo sobre empolgação e tempo
E nada disso foi levado a sério, percebe o problema?
O tempo está entre nós como uma barra maciça
E o amanhã só existe quando acaba
Não há planos, diretrizes ou previsões que me prendam
Nem promessas repetidas de um novo futuro
O futuro não existe e isto passa longe de ser um problema
Matheaus Siebra
sábado, 18 de agosto de 2012
Tertia Lex
Se inspiração
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Vai, mundo

Que visão de mundo o Raimundo tem
Ainda na cama com um jornal a atrapalhar-lhe o café
Antes de ler o que tem escrito no rodapé
Prefere abandonar este mundo e ficar de pé
Que visão de mundo o Raimundo tem
Com seu cigarro lento a enfeitar-lhe os lábios
Observando do banco da praça os homens alados
Prefere não comentar e fica calado
Que visão de mundo o Raimundo tem
Com um radim de pilha a beijar-lhe o ouvido
Escutando todo dia a hora do Brasil maldito
Prefere continuar vegetando a tentar um suicídio
Que visão de mundo o Raimundo tem
Com a televisão iluminando o escuro da noite
Os seus olhos de estátua a ver as bombas de hoje
Prefere dormir a ferir a vista com essas notícias de açoite
Que visão de mundo o Raimundo tem
Ainda na cama com um jornal a atrapalhar-lhe o pé
Antes de ler o que tem escrito na embalagem do café
Prefere abandonar este mundo e ler logo o rodapé
Que visão de mundo o Raimundo tem
Com seu cigarro lento a deixar-lhe alado
Observando do banco da praça os homens calados
Prefere não comentar e fechar os lábios
Que visão de mundo o Raimundo tem
Com um radim de pilha a incentivar-lhe o suicídio
Escutando todo dia a hora do Brasil ouvido
Prefere continuar vegetando a tentar o maldito
Que visão de mundo o Raimundo tem
Com a televisão iluminando o escuro de açoite
Os seus olhos de estátua a ver as bombas da noite
Prefere dormir a ferir a vista com essas notícias de hoje
Boa noite, Raimundo!
2010
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012
Aquela frase

Como se uma frase fosse a chave das portas da percepção
Como se tudo que eu disse até hoje
Não fossem indiretas do que acabei de dizer
Como se não acusasse isto, ficar falando ao teu ouvido até o dia amanhecer
Como se cada gesto meu não apontasse
E eu ficasse meio bobo a cada tentativa de disfarce
Como se antes de tudo isto acontecer
Eu já não sentisse a mesma coisa sem nem perceber
Como se tudo o que vivemos fosse um instante que passou
Um grito que se calou
Uma ferida que se fechou
A partir do momento que eu disse ao teu ouvido
Sussurrando num tom bem mansinho
Que o que eu sinto por ti é amor
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
Chato Cotidiano
Há sempre um algo a mais no que quer que seja
Nunca se conhece ninguém por inteiro
Nunca se foi tão longe que ainda não possa andar
Nunca se quis tanto que não fosse possível abusar
Nunca se fez algo que não fosse possível ser feito
E é por isso que o mundo gira
É por isso que homens acordam, cagam o dia inteiro e dormem depois de trepar
E trepam o resto da noite com qualquer uma que não sua mulher...
É por isso que mulheres acordam, vomitam o dia inteiro e dormem depois de trepar
E trepam o resto da noite com qualquer um que não seja real...
Por mais que homens e mulheres, incluindo os seus e vice-versa,
Se esforcem para fazer algo perfeito, sempre vai haver uma brecha
Uma palavra não dita ou 3 ditas a mais: vai te foder!
Sempre vai haver uma mão vermelha e um rosto inchado
Sempre vai haver olhares impiedosos e outros encharcados
Por mais que se esforcem para serem ricos, sempre vai haver algum fodido
Com poucas moedas que se possa tomar
Por mais que se esforcem para serem bonitos, sempre vai haver um comprimido
Que a idade, e de quebra a mente, prometa retardar
Sempre há um algo a mais no quer que seja
Nunca se tem alguém por inteiro
Nunca se chorou tanto que não pudesse aumentar o berreiro
Nunca se tem tanto que não haja lugar pra mais um pouco
Nunca um tesouro deixou de caber mais uma moeda de ouro
E é por isso que o mundo pira
Matheaus SIebra
12/08/2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Escombros de uma vida
Há aqueles dias em que tudo parece desabar ao seu lado
E realmente tudo desaba
E quando desaba, desmorona sentimentos sem fim
E você fica feito preso nos escombros
Sozinho
Sem poder se mover, se virar, espreguiçar
Sem poder gritar...
Nem por socorro nem pelo prazer de ouvir qualquer voz que seja
Só se pode chorar... Mas chorar bem pouco, de mansinho
De outra maneira o desespero toma de conta...
Você berra, desespera, grita com a boca bem aberta
E ai pode entrar pó
Pode o pó poluir narinas, esôfago, traquéia, pulmão
E daí pro cérebro é um passo
Um passo em falso que pode te fazer cair em um buraco
Um buraco que, quando se percebe, as paredes estão tão frágeis!
E ai tudo parece desabar ao seu lado
E realmente desaba
E quando desaba, desmorona sentimentos nos mais próximos.
Matheaus Siebra
10/08/2011
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
A máscara

Pra não dizer que nunca fui tua
Fui tua
Quando tua barba me fazia virar bailarina
Desvendando o amor que se esconde entre algodões
Procurando espaço no meio daquilo que sou eu
Tua barba me fazia ser tua
Quando de leve a encostava em meu pescoço
Respirando devagar no meu ouvido
Com a mão pousada sobre seu melhor aeroporto:
Meu seio
Tua barba me fazia ser tua quando me arranhava as costas
Com tamanha raiva e brutalidade que nada mais havia senão desejo
Quando me tocava a face no mais ardente beijo
Quando a via pintada em mim na frente do espelho
Tua barba me fazia ser tua
Quando ela escondia, feito máscara, o que tu pretendias
Quando enganava meus sentidos maquiando suas intenções
E te deixava com ar misterioso se falava de outras paixões
Pra não dizer que nunca fui tua
Fui tua
Fui tua por tua barba.
Matheaus Siebra
09/09/2010
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Mãe África

Ele chora
O corpo fraco, frágil, se estende nos ossos do colo da mãe
E ele chora silenciosamente...
Não desperdiça o pouco da força que lhe resta com soluços e escândalos
Com um esforço sobre-humano, ergue o braço e puxa um pedaço de pele colado à barriga daquela mulher
Puxa a pelanca e leva ate sua boca. Suga, suga, suga... Mas não há nada ali
Não há leite, não há água.
Mas não estão totalmente vazios os seios daquela sofredora
O menino talvez encontre no meio daquele misto de pele e curubas, de lama e de pus
Alguma gota de suor ou lágrimas escorridas que possam saciar sua sede
Talvez encontre até algo maior...
Encontre esperança e imagine pelo menos por dois minutos que vai ter um futuro
Pode ser que ache também força.
Pode ser que essa força permita-o não expor ainda mais seus ossos
Pode ser que esta força o faça conseguir virar o pescoço e olhar para a mãe que o observa
Ela, criatura triste e sofrida, se esquece de toda a miséria subumana em que vive
E nesse momento volta a ser mulher... Consegue até sorrir para confortar sua cria.
O menino, enquanto suga em vão aquelas tetas caídas, provavelmente fechará os olhos
E em meio ao caos vai enxergar um brilho intenso
Vai imaginar pessoas boas o cercando e dando as mãos
O menino está no centro das atenções, já não é mais um fantasma
O menino enxuga as lágrimas que desenhavam um córrego em seu rosto pontudo
Parece que se esquece da fome que o corroia até pouco tempo atrás
Ou ela realmente sumiu...
Esquece também de que sentia dor
Esquece que a justiça é cega, mas a injustiça tem olhos de lince pra caçar os mais indefesos
Esquece de toda a imperfeição que o cerca e quase adormece
Então, cansado, fecha os olhos lentamente para nunca mais abri-los de novo.
Matheaus Siebra
01/12/2010
sábado, 28 de agosto de 2010
De qualquer maneira

Eu te amo
E não é um amor divino
Não tem nada de angelical
É um amor perverso, maldoso, beirando o diabólico
Um amor avesso a regras, a canções, discussões e dicionários
Eu te amo ardentemente... Eu te amo com gosto de suor
Eu te amo com unhas e dentes, com mordidas e tapas sem dó
Eu te amo nos seus lábios dançando flamenco
E também quando se cansam da solidão e convidam os meus prum forró
Eu te amo com sussurros no ouvido, com mãos inquietas, com suspiros de prazer
Eu te amo teu contorcionismo, teus grunhidos, tua loucura e tudo que é de você
Eu te amo com movimentos
Eu te amo teus gemidos
Eu te amo um grito
Eu te amo um silencio...
Eu te amo sem movimentos
Agora, cansado, te amo divinamente e a todo momento
Je t'aime, Aimêr
30/05/2010
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
Um fiho
Um filho
Criatura com dentes, quem diria...
Que come feito leão, eu não sabia!
Que quase anda desengonçado e com alegria!
Um filho
Uma parte minha que não sou eu
Mas roubou muito de mim quando nasceu
Inclusive aquilo que desacreditava: o amor meu
Um filho
Que arranca minhas lágrimas escondidas
Quando não contém as suas na hora da partida
E soluçante me olha quase gritando adeus
Um filho
Que arranca meu sorriso escondido
Quando mostra o seu sorriso exibido
Jogando-se em mim e quase gritando: sou teu!
Um filho
Que na simplicidade do olhar diz tudo
Que parece espiar todo dia por cima do muro
Pra entender assim cada sentimento meu
Um filho que me faltam palavras
Como se fosse eu a “tabula rasa”
E precisasse aprender a dizer amor...
Um filho raro,
Um filme raro
Que passa aos domingos no meu coração
Um coração tão grande, enorme
Mas que mesmo assim não pode
Conter toda minha emoção.
Matheaus Siebra
25/08/2010
sábado, 19 de junho de 2010
no baile das máscaras

Teu sorriso exibido
Eu me furei no espinho depois de arrancar a fulô
Teus lábios praticando sexo explícito com meu olhar
Eu me engaiolei em ti depois de me livrar do teu amor
E tua pele que agora já não posso...
...Tocar, cheirar, sentir, nem sequer negar
(quem me dera negar!)
Parece-me agora ainda mais bonita e macia
Mais ainda que qualquer poesia
Que nesta noite eu vou dizer e escutar
Danças frevo sobre a linha tênue
Que separa a insensatez do meu juízo
Com um companheiro que, com toda certeza, não sou eu
Quem é teu novo alguém que quer te fazer bailar
Quem é este que
Quando não restar da música nenhum ruído
Vai te empurrar pro lado de lá?
domingo, 25 de abril de 2010
Valle in crastinvm
As esperanças começam quando se termina o dia
Fracassado muitas vezes e algumas poucas com sucesso
Fecho os olhos e vejo-te chegando, trazendo-me boas noticias
Finalmente! É a hora da colheita...
Oh tempo! Quanta angustia trouxeste para pouca recompensa
Mísera Valia pra tamanho penar!
Com os olhos fechados impossível não pensar nisso
E lembrar que as expectativas humilham a surpresa
(e são cúmplices da decepção)
Talvez eu anseie por um desfecho
E descubra no fim que o desenrolar me interessava mais
(O final não merece seu meio)
E queira voltar pra um tempo atrás...
São as dúvidas que se acabam quando toma lugar em seu trono as esperanças de amanhã
Vejo-te chegar trazendo-me boas noticias
Mas sempre dizes:
- Valle in crastinvm!
Matheaus Siebra
14/08/2009




